Conectar instantaneamente com alguém é muito difícil. E, na comunicação, isso é fundamental! Ter técnica de entrevista é o caminho.
É verdade que eu sempre tive jeito pra criar essa ligação rápido. Mas dom não é suficiente. Se mesmo tendo tudo alinhado ainda pode dar errado, sem estratégia o fracasso é garantido!
Sorte conta? Sim! Mas eu aprendi a dar aquele empurrãozinho pra ela com algumas pitadas de técnica e várias colheres de experiência.
Ler os sinais ao redor é chave para a conexão honesta
Quando você tá prestando atenção no contexto, as chances de conseguir aquela expressão genuína se multiplicam. Foi assim quando fiz uma pauta que tinha tudo para ser burocrática: noticiar a abertura da mostra imersiva ‘Pincelando a História’.
Previmos um vídeo, mas a meta era só uma espécie de vlog explorando as projeções e salas da exposição. Até que isso aconteceu:
Uma mulher caminhava com um garoto, muito carinhosa e atenciosa. E pareciam ver muita novidade nas exibições. Eu logo percebi que ali poderia render algo, mas uma pergunta me fez colher ouro.
Captar a emoção sincera de uma mãe só foi possível com muito tato e sensibilidade. Mas também técnica e estratégia. Comecei a entrevista de forma mais generalista, abordando os aspectos mais comuns da exposição.
Guardei mais pro fim minhas perguntas sobre a experiência deles com o lugar e a relação mãe e filho. De propósito. Umas pitadinhas aqui, umas colheradinhas ali.
Além da entrevista, fiz também o roteiro desse vídeo.
Chamar discretamente a atenção pode ajudar, isso também é técnica de entrevista
Pra começar, o foco não é você. Nunca é você. É o outro, o conteúdo, a história. Dito isto, dá pra brincar um pouco…
Tem um tipo de entrevista, as junkets, que são igualmente um privilégio e um terror.
Elas são feitas geralmente com artistas em divulgação de algum filme ou espetáculo. Isso significa entrar num rodízio com outros vários jornalistas, cada um com poucos minutos de entrevista.
Poucos mesmo. Já fiz junket de 4 minutos. Quatro, você não leu errado!
Impossível criar uma conexão em tão pouco tempo, certo? Errado!
Eu não escolhi essa meia pra esse dia à toa. Sabia que Rodrigo Santoro é um cara muito estiloso. E gentil!
É óbvio que ele também tava bem disposto aquele dia. Mas um detalhe que poderia passar despercebido liberou a gente pra uma conversa tranquila, honesta e sem pressões. Na qual eu consegui explorar lados bem diferentes do ator.
Aqui, a conversa toda:
Outro exemplo de roupa que me permitiu gerar conexão com os entrevistados numa junket foi quando falei com O THOR!!! o ator Chris Hemsworth (sim, escrevi tanto esse nome que nem preciso mais do Google pra acertar) e o diretor Sam Hargrave.
Não foi só porque tava frio nesse dia que optei por uma jaqueta de couro — sintético. Era um filme de ação. Com um ator de ação. E um diretor que atuava como dublês. Eu sabia que o toque hétero masculino com uma certa atitude geraria impressões. Isso é técnica de entrevista.
Só confesso que não esperava virar o Wolverine!

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