Era uma sexta-feira. Eu, provavelmente, só tava querendo sextar. Mas caiu diamante na minha mão! E essa é a importância de uma boa estratégia de redes sociais.
Era governo Bolsonaro. Habitualmente turbulento. E aquela vinha sendo uma semana bem incômoda pro clã, com muito fogo amigo de um aliado. Pois ia aumentar. Graças a ele, uma repórter esperta e um social media atento. Este último, eu.
Eu trabalhava no Estadão e chegou um texto de Brasília, com a notícia que muitos veículos já davam no dia. O título ia na linha “Líder do PSL afirma que governo é inexistente e chama Bolsonaro de ‘vagabundo’”.

Apenas uma fotinha ilustrativa de mim na redação do Estadão em 2020, meses depois dos acontecimentos aqui narrados.
Acontece que, lendo a matéria, algo me chamou a atenção. Na ocasião, Bolsonaro queria que o filho, Eduardo, assumisse a liderança da bancada.
E lá do meio pro fim do texto o referido “lider do PSL”, à época o deputado Delegado Waldir (GO), dizia que o presidente tentava “comprar”parlamentares.
Era a primeira vez que aquilo era dito. Era uma denúncia importante. Era uma declaração que só o Estadão tinha. E a matéria já dizia que Delegado Waldir tinha entrado em uma reunião a portas fechadas logo após falar com a repórter. Era uma exclusiva que continuaria exclusiva ainda por um bom tempo!
Eu sabia que tinha uma joia na mão e precisava agir.
Nosso time de redes sociais sempre foi muito autônomo, o que não quer dizer que a gente agia sozinho. Mas eu estava sozinho na hora. Por um acaso do destino, a bancada tava vazia aquele dia.
Do outro lado, era o mesão da equipe de home page, que cuida da capa do site. Eu me levantei e dei o alerta: “Esse texto aqui diz isso, isso, e isso. Só nós temos. Vou dar com o seguinte título no Twitter, tá?”.
Reformulei o título, trouxe a declaração pro destaque e meti o card de exclusivo no tweet, linkando pra matéria no site. Era hora de botar à prova anos de estratégia de redes sociais.
Explodiu.

Infelizmente, o link não tá mais no ar (consegui recuperá-lo aqui no Internet Archive). Mas foi um hit na época.
Em pouco tempo, o título da matéria também foi atualizado pro meu e depois ajustado. Ela segue no ar aqui. Na URL, ainda dá pra ver o registro do título original.
Repercussão da estratégia de redes sociais ganha o Brasil
Virou trending topics rapidinho. O Twitter criou um moment [lembra deles?] só pra essa história. A repercussão foi intensa!

Não demorou a virar manchete do Estadão. E muito rápido também virou manchete nos outros veículos, citando a exclusiva original porque — lembra? — o deputado tava numa reunião a portas fechadas e assim ficaria por um tempo.
Quando saiu, a imprensa brasileira inteira já tava esperando pra falar com ele. E ele repetiu tudo.
Mas, pra mim, o ápice ainda estava por vir. Eu sabia que era istória digna de abrir o Jornal Nacional — querendo ou não, sempre ainda uma referência de valor notícia no Brasil.
E lá estava! Em 18 de outubro de 2019 eu pautei o JN.
Não chegou a ser a primeira chamada da escalada — tragédias tinham acontecido por aqueles dias e mereciam mais destaque —, mas tava lá o assunto. O quarto a ser lido pelo William Bonner.




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